POR AÍ
30 de Setembro / 2026
Caparaó: café, montanhas e experiências inesquecíveis
Entre montanhas, cachoeiras, trilhas, cafés especiais e muita hospitalidade, o Caparaó foi uma daquelas viagens que surpreendem a cada dia.
A região do Caparaó reúne natureza exuberante, turismo de aventura, gastronomia e experiências que vão muito além dos seus famosos picos e cachoeiras.
Onde fica o Caparaó?
A Serra do Caparaó está localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo e é conhecida principalmente pelo Parque Nacional do Caparaó, uma das principais áreas de montanha do Sudeste brasileiro.
O parque possui duas portarias de acesso: uma em Alto Caparaó, em Minas Gerais e outra em Pedra Menina, no Espírito Santo.
O Caparaó é muito mais do que o Parque Nacional. A região também surpreende pela simplicidade, pelo acolhimento e principalmente, pela hospitalidade das pessoas.
Espírito Santo ou Minas Gerais: qual lado conhecer?
Pelo Espírito Santo
O lado capixaba, especialmente Pedra Menina, tem um perfil que combina mais natureza, tranquilidade, turismo rural, cafés especiais e experiências em propriedades rurais.
A entrada de Pedra Menina dá acesso a áreas como Macieira e Casa Queimada, além de cachoeiras e trilhas como as da Cachoeira dos Sete Pilões, Cachoeira do Aurélio e Cachoeira da Farofa.

Cachoeira da Farofa
Um dos grandes diferenciais é o café. A região de Pedra Menina está muito associada à produção de cafés de montanha e ao turismo rural, o que permite combinar as trilhas do parque com visitas a propriedades, cafés e experiências gastronômicas.
Por Minas Gerais
O lado mineiro tem como principal base Alto Caparaó e apresenta uma estrutura turística mais desenvolvida, com maior concentração de pousadas, restaurantes, agências e serviços para quem visita o Parque Nacional.
É um lado bastante procurado por quem tem como objetivo principal conhecer o Parque Nacional e subir o Pico da Bandeira.
Por essa portaria estão os acampamentos Tronqueira e Terreirão, além de atrativos como Vale Encantado, Vale Verde e Cachoeira Bonita.
Como chegar ao Caparaó pelo Espírito Santo?
Para quem pretende conhecer o Parque Nacional do Caparaó pelo lado capixaba, o acesso é feito pela Portaria de Pedra Menina, no município de Dores do Rio Preto.
Nós nos hospedamos na região de Pedra Menina, que foi nossa base durante os quatro dias de viagem. Para quem sai de Vitória, são aproximadamente 260 km até a região.
Uma das vantagens de escolher Pedra Menina como base é justamente estar próxima da entrada capixaba do Parque Nacional e, ao mesmo tempo, poder aproveitar as experiências de natureza, café e turismo rural existentes nos arredores.
Qual a melhor época para conhecer o Caparaó?
A melhor época para viajar para o Caparaó depende muito do tipo de experiência que você procura.
Para quem pretende subir o Pico da Bandeira, os meses de abril a outubro costumam ser mais favoráveis, período em que chove menos e as condições geralmente são melhores para as trilhas e para a visibilidade das montanhas.
No inverno, porém, é preciso estar preparado para o frio intenso nas áreas mais altas. Durante nossa viagem, sentimos bem essa diferença de temperatura ao longo dos passeios.
Já para quem pretende aproveitar principalmente as cachoeiras e piscinas naturais, os meses mais quentes podem ser mais interessantes, especialmente para quem gosta de entrar na água.
Nosso roteiro no Caparaó
Foram quatro dias de viagem, combinando Parque Nacional do Caparaó, trilhas, cachoeiras, gastronomia, café especial e experiências de turismo rural.
Primeiro dia: Parque Nacional do Caparaó
Nosso primeiro dia foi dedicado ao Parque Nacional do Caparaó.

Para chegar a uma das áreas mais altas do parque, seguimos em um veículo 4x4 por uma estrada que chega a aproximadamente 2.215 metros de altitude, até o Mirante do Lajão.

A vista lá de cima, em um dia de céu aberto, é simplesmente de tirar o fôlego. É possível contemplar uma paisagem que alcança três estados brasileiros: Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Depois do mirante, seguimos a pé em direção às cachoeiras da Farofa, Aurélio e Sete Pilões. Como fomos no inverno, a temperatura da água estava bastante fria.
Cachoeira do Aurélio
O percurso completo durou cerca de cinco horas e foi uma ótima maneira de começar nossa aventura pelo Caparaó.
Depois de uma manhã intensa, fizemos uma reserva para almoçar no Restaurante Dom José, comandado por um chef da própria região.

Ele estudou gastronomia na renomada escola francesa Le Cordon Bleu e, depois de sua formação, decidiu retornar às suas origens para montar seu próprio restaurante.
O lugar possui uma vista lindíssima e uma gastronomia deliciosa, unindo a técnica adquirida em sua formação aos sabores e ingredientes da região.
Foi uma experiência que complementou perfeitamente nosso primeiro dia.
Segundo dia: Pico da Bandeira
O segundo dia foi reservado para um dos grandes desafios da viagem: a subida ao Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil, com 2.981 metros de altitude.
Chegamos à portaria do parque por volta das 7h e, de lá, seguimos com nosso guia em um veículo 4x4 até a Casa Queimada. A partir dali, começamos a caminhada.
Para chegar ao Pico da Bandeira, passamos pelo Pico do Calçado e seguimos até o topo. A trilha é formada principalmente por terra batida, mas alguns trechos possuem muitas pedras, o que torna a caminhada mais exigente.
Porém, o que realmente faz a subida ser desafiadora é o desnível. Saímos de aproximadamente 2.160 metros de altitude e chegamos aos 2.981 metros do Pico da Bandeira.
Durante a subida, sentimos bastante calor. Mas, ao nos aproximarmos do Pico do Calçado, a situação mudou completamente. Os ventos ficaram fortes e a temperatura caiu bastante, fazendo com que precisássemos colocar os casacos e os corta-ventos.
Apesar do esforço, a paisagem torna tudo muito mais especial. A cada trecho, uma nova vista aparece, e a sensação de estar cada vez mais perto do topo faz todo o esforço valer a pena.

No caminho existe uma fonte de água potável, onde é possível reabastecer a garrafa e fazer uma pequena pausa para descansar e comer alguma coisa. É um ponto importante para recuperar as energias antes de continuar.
Nós fizemos a subida e a descida pelo mesmo caminho, mas existem outras possibilidades para quem deseja uma experiência diferente.
Uma delas é fazer a travessia, subindo por um lado e descendo pelo outro — por exemplo, subir pelo Espírito Santo e descer pelo lado de Minas Gerais.
Outra opção é acampar na Casa Queimada, dentro do parque. Nesse caso, é possível iniciar a subida por volta das 2h da madrugada para chegar ao Pico da Bandeira a tempo de assistir ao nascer do sol.
Deve ser uma experiência simplesmente inesquecível.
Terceiro dia: Cachoeiras das Esmeraldas e sabores da região
Nesse dia, conhecemos duas cachoeiras fora do parque. Uma delas foi a Cachoeira da Jacutinga. O roteiro é conhecido como Cachoeiras das Esmeraldas, justamente porque, nos dias de sol, as águas ganham um tom de verde impressionante.
E foi nesse passeio que a hospitalidade dos moradores do Caparaó ficou ainda mais evidente.
Na primeira cachoeira, um senhor que cuida e mantém a trilha foi à nossa frente, literalmente “varrendo” o caminho, pois havia ventado bastante na região no dia anterior.
Quando voltamos da trilha, ele e a esposa estavam nos esperando com uma limonada fresquinha e ainda ganhamos alguns limões-rosa como lembrança.
Na segunda cachoeira, fomos recebidos por outro senhor muito simpático, que nos esperava com abacates recém-colhidos: para nossa surpresa, também nos presenteou com alguns.
São pequenos gestos como esses que fazem uma viagem se tornar muito mais especial.
Não são apenas as paisagens que ficam na memória, mas também as pessoas que encontramos pelo caminho.
As cachoeiras dessa região também possuem uma água mais agradável do que as que ficam dentro do parque, justamente por estarem em altitudes mais baixas. Para quem gosta de banho de cachoeira, a temperatura é muito mais convidativa.
Depois, seguimos até a Toca da Truta, que no passado chegou a ser o maior criador de trutas do Brasil. Ali, saboreamos deliciosas trutas e conhecemos um pouco mais sobre a gastronomia local.
Também encontramos um grupo de macacos da espécie Muriqui-do-Norte, considerado o maior primata das Américas. O Caparaó abriga uma das maiores populações da espécie, que está em perigo de extinção.

Na sequência, visitamos uma queijaria da região, onde provamos queijos deliciosos e um doce de leite caseiro simplesmente espetacular.
Foi um dia de natureza, sabores e mais uma vez, encontros com pessoas que nos fizeram sentir muito bem recebidos.
Quarto dia: uma experiência no mundo do café
No nosso último dia, aproveitamos a manhã para visitar um produtor local de café e tivemos uma experiência incrível.
Começamos, é claro, com um bom café. Depois, embarcamos em um trator para subir entre as plantações.

Foi ali, em meio aos pés de café, que conhecemos de perto o fruto, aprendemos como ele é colhido e entendemos um pouco mais sobre todo o processo até o café chegar à nossa xícara.
E não ficamos apenas olhando: também colocamos a mão na massa e participamos de algumas etapas do processo.

Foi uma verdadeira aula sobre café e também uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho, a dedicação e o cuidado de quem produz uma bebida tão presente no nosso dia a dia.
Nada melhor do que vivenciar todo esse processo para entender o valor que existe por trás de cada xícara.
Agradecemos especialmente ao Adailson, da Fazenda Caparaíso Coffee, por proporcionar essa experiência tão especial e por compartilhar conosco um pouco do seu trabalho e da sua paixão pelo café.
@caparaiso_coffee
Onde ficamos: Pousada Rancho na Serra
Durante nossa viagem, ficamos na Pousada Rancho na Serra, um verdadeiro rancho cercado pela natureza e repleto de animais.

Por ali, encontramos simpáticas alpacas, galinhas diferentes, patos, avestruz, ovelhas, bodes e lindos cavalos.

É aquele tipo de lugar em que você desacelera, aproveita o silêncio e realmente se sente conectado com a natureza.

E não podemos deixar de falar do café da manhã: tudo muito caseiro e delicioso. Um dos destaques foi o bolo de pão de queijo, que deixou saudades!
Os proprietários do rancho são extremamente simpáticos e fizeram toda a diferença na nossa estadia. Atentos a cada detalhe e sempre prontos para dar boas dicas, ajudaram a tornar nossa experiência ainda mais especial.
Foi uma daquelas hospedagens em que você não se sente apenas um hóspede. Sentimos como se estivéssemos em casa.
@pousadaranchonaserra
Quem organizou os passeios no Parque Nacional do Caparaó?
Para os nossos passeios pelo Parque Nacional do Caparaó, contamos com o apoio da agência de turismo Ecotrilhas, localizada em Pedra Menina, no Espírito Santo.
Em cada passeio, fomos acompanhados por profissionais experientes e conhecedores da região, que nos conduziram por lugares incríveis e nos ajudaram a descobrir as belezas e os encantos do Caparaó.
E para completar cada experiência, nada melhor do que um bom café ao final do passeio, sempre acompanhado de uma vista deslumbrante — daqueles momentos que tornam a viagem ainda mais especial e ficam na memória.
@ecotrilhasbrasil
O que levamos na viagem
Para essa viagem, levamos uma mala média da Tonin, em polipropileno da linha Karbono, e optamos por utilizar também o kit organizador dentro da mala.

E essa escolha fez toda a diferença!
Como estendemos a viagem para as praias de Vila Velha e Guarapari, no Espírito Santo, tivemos que lidar com dois extremos de temperatura: dias de calor na praia e temperaturas mais baixas na região serrana do Caparaó.
O kit organizador foi essencial para manter tudo em ordem. Como tínhamos roupas para diferentes tipos de clima, conseguimos separar as peças por organizadores e, ao chegar em cada hotel, foi muito mais fácil pegar somente aquilo que precisávamos para aquele destino.
Além de facilitar a organização, isso também evitou aquela bagunça de precisar tirar tudo da mala para encontrar uma peça.
Outro item que foi uma ótima escolha foi a Necessaire em tecido ref.1991. Como ela possui cabideiro, foi perfeita para a viagem. Ao chegarmos ao hotel, bastava pendurá-la e tínhamos todos os produtos à mão, sem precisar retirar tudo de dentro.
Praticidade e organização que fizeram diferença, principalmente porque mudávamos de ambiente e de clima durante a viagem.
E, claro, a mochila também foi essencial nos passeios. Levávamos nela os casacos, lanches, água e tudo aquilo que precisávamos durante as trilhas e passeios.
Ter tudo à mão, de forma prática e organizada, deixou os momentos de aventura muito mais tranquilos.
No fim, percebemos que escolher bem o que levar para uma viagem faz toda a diferença.
Uma boa mala, organização e os acessórios certos tornam a experiência mais leve e prática — principalmente quando o roteiro mistura praia, montanha, frio, calor e muita aventura.
Até logo, Caparaó!
Nossa passagem pelo Caparaó foi muito mais do que uma viagem.
Foram dias de contato com a natureza, desafios, belas paisagens, boa comida, cafés de qualidade e, principalmente, encontros com pessoas que fazem a região ser ainda mais especial.
Voltamos para casa cansados, mas com a sensação de que vivemos experiências que permanecerão na memória por muito tempo.
O Caparaó nos mostrou que uma viagem especial não precisa ser para um destino famoso ou cheio de atrações. Às vezes, basta uma montanha, uma cachoeira, uma boa xícara de café e pessoas dispostas a receber você com simplicidade e carinho.
Caparaó é daqueles lugares que você conhece uma vez e, antes mesmo de ir embora, já começa a pensar em quando poderá voltar. ☕⛰️💚
Perguntas frequentes sobre o Caparaó
Onde fica o Caparaó?
O Caparaó está localizado na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. O Parque Nacional do Caparaó possui duas portarias: uma em Alto Caparaó (MG) e outra em Pedra Menina (ES).
O que fazer no Caparaó?
Entre os principais atrativos estão o Pico da Bandeira, trilhas, cachoeiras, piscinas naturais, mirantes, montanhas e experiências relacionadas ao café.
Qual a melhor época para ir ao Caparaó?
Para quem pretende subir o Pico da Bandeira, o período entre abril e outubro costuma ser mais favorável, principalmente por apresentar menor volume de chuvas. Já para aproveitar as cachoeiras e piscinas naturais, os meses mais quentes podem ser mais interessantes.
Onde ficar no Caparaó?
É possível se hospedar tanto no lado mineiro, especialmente em Alto Caparaó, quanto no lado capixaba, em locais como Pedra Menina. A melhor escolha depende do roteiro e da portaria do Parque Nacional que você pretende utilizar.
Quantos dias são necessários para conhecer o Caparaó?
Para um roteiro que combine Parque Nacional, trilhas, cachoeiras, gastronomia e experiências com café, 3 a 4 dias são um bom ponto de partida.
No nosso caso, quatro dias permitiram montar um roteiro bastante diversificado, conhecendo diferentes atrações e experiências da região.
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